sábado, 21 de maio de 2016

Minhas crises por você

Eu sempre fui uma pessoa de crises.
Mas não eram crises extrovertidas e espaçosas. Eram crises tímidas. Que vinham do nada exigindo espaço, e preferiam ficar sussurrando bem baixinho comigo, sem a interferência de ninguém. E já que elas gostavam de conversar só comigo,com plena particularidade, eu tinha que vencê-las sozinha. Com os argumentos, fatos ou até o esquecimento. Mas, sério,essas crises nunca foram fáceis de superar. Sempre foram grudentas, gostando de ficar muito num lugar. Algumas, em alguns minutos iam embora. Enquanto outras, ficavam dias sem se importar com demora.
E elas sussurravam dentro de mim sem parar. E isso me isolava, porque eu precisava argumentar contra elas sozinha, sem interferência do lado de fora. E, difíceis como eram de lidar, isso me exigia um certo esforço e eu precisava me concentrar.
E, há alguns dias atrás, uma delas veio.
Não me lembro muito bem o porque, mas eu lembro que não era sobre você. E você nem percebeu minha mente distante e pensamento vagante. Mas tudo bem. Você nunca foi mesmo de me perceber.
Mas essa crise ficou por uns dias. E eu fui lidando com ela do jeito que eu aprendi a lidar com todas as minhas. No meu canto, argumentando e pensando sem parar. O meu jeito já tradicional de superar
E, um dia, no último dia, foi um ultimato. Eu tentei me esconder, mas me acharam e não me incomodei com isso.Eu fugia e, durante uma hora daquelas, meu coração se aquecia quando tentavam me alcançar.
Eu falei, superficialmente, da crise. Esperando que me perguntassem sobre o que era dessa vez. Mas logo me perguntaram se era sobre você.
Então, eu meio que fiquei surpresa. Desconversei, dei uma desculpa e ri no embalo.Mas comecei a pensar sobre elas. As minhas crises.
E depois que eu te conheci, algumas delas tinham seu nome assinado em baixo.Mas...eram tantas assim sobre você?
Eu nunca tinha pensado muito sobre isso. Afinal, eu sou uma pessoa de crises. Se algumas delas são por você, que deixe ser. É normal, certo? Eu sempre fui de não saber o que realmente estava acontecendo comigo
Mas se a maioria das minhas crises são por você, então eu não estou fazendo isso certo. Porque eu jurei que ia parar, jurei que ia tentar, jurei que ia continuar. Mas eu caio toda vez que você estica o pé há dois quilômetros de distância.
E são as balas perdidas que você atira que acabam me atingindo. E eu me pergunto o quão difícil é para você entender que isso para mim é um tiroteio.
Tá bem, talvez não seja um tiroteio, na realidade. Talvez não seja para os dois. Talvez seja eu me colocando em frente aos alvos e pedindo para ser acertada.
Mas eu estou cansada da sua pontaria no escuro ser bem melhor que a minha capacidade de desviar dos tiros. No final, só quem sai machucada sou eu.
Então hoje eu fiz diferente. Eu sacodi a cabeça, engoli aquela sensação e pensei "hoje, não". Hoje eu não vou cair, levar bala nem lidar com crise sobre você ou coisa qualquer. Eu vou conversar, tomar um gole do meu suco favorito e deixar seu nome guardado no fundinho da mente.
Com essa crise ,eu lido depois.

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